Historicamente, sempre houve um verdadeiro controle do prazer sexual feminino, o que não apenas colaborou para inibir a libido das mulheres como acabou por retrair estudos e definições sobre esse tema. Em sua palestra “Onde está o prazer sexual feminino”, Dra. Angelina Maia explica as relações que envolvem a anatomia, tabus e pensamentos, mostrando, para homens e mulheres, a descoberta dos caminhos que levam ao orgasmo da mulher.
Com base em sua experiência de 34 anos e nos seus estudos sobre a vulva (a parte visível da genitália), publicados em dois livros, a Dra. Angelina mostra os mitos e verdades sobre a anatomia e a sensibilidade dos órgãos sexuais femininos, assim como seu papel no prazer sexual da mulher. Entre os esclarecimentos da palestra, a médica também fala sobre o tabu da masturbação feminina: diversos estudos mostram que é pela masturbação, entre todos os tipos de atividade sexual, que a mulher atinge, com mais frequência, o orgasmo, ao contrário da relação sexual “apenas” com a penetração do pênis durante a qual muitas mulheres não gozam.
Outro assunto abordado envolve os termos “orgasmo vaginal” e “orgasmo clitoridiano”, que, apesar de muito usados, são, com frequência, mal definidos. Alguns estudiosos responsabilizam Freud por uma das teorias mais amplamente divulgadas e que gerou muito conflito nas mulheres, que é a do orgasmo vaginal. O orgasmo clitoridiano e o orgasmo vaginal não são entidades separadas. Os estudos mostram que o clitóris tem o papel de receptor e transformador das sensações eróticas, qualquer que seja o estímulo aplicado sobre ele. A partir do estímulo clitoridiano, a vagina terá sua primeira resposta, que é a lubrificação, sendo as contrações vaginais a principal alteração fisiológica da fase orgásmica. Também são importantes fontes de estímulos os pequenos lábios e a entrada da vagina. O interior da vagina mostra-se insensível à grande maioria das mulheres.
Sexualidade
Em “Onde está o prazer sexual feminino”, Angelina também aborda a sexualidade humana, tema em que ela tem quatro pós-graduações. “Em estatísticas relativas a ‘ações humanas’, quase todos confundem ‘mais frequentes’ com ‘normais’. No sexo, também é ‘normal’ aquilo de que a maioria não gosta”, ensina a especialista, “cada um deve perceber o que sente e do que gosta; só isso é normal para cada indivíduo”. A comunicação sobre os gostos sexuais entre os pares deve ser sempre estimulada, e é bom lembrar que, se for difícil usar as palavras, os sons, os movimentos e os gestos são muito bem compreendidos.
Para a médica, é informando e lembrando de que cada um gosta que seja feito com seu corpo que o contato sexual ganha em qualidade. “Apesar de o toque no local certo ser muito importante, o ‘essencial’ é que o ‘pensamento’ esteja entregue ao prazer”, comenta. Angelina usa uma sigla simples para definir o ato sexual: “É um composto f-F (fricção e fantasia) – mais fantasia do que fricção”.
Sobre a Dra. Angelina
Uma das poucas brasileiras integrantes da The International Society for the Study of Vulvovaginal Disease (ISSVD), Angelina Maia tem sucessivamente ocupado diversos cargos na diretoria da Associação Brasileira de Colposcopia e Patologia do Cervical Uterina, tanto em Pernambuco como nacionalmente. Sua especialização em vulva já lhe rendeu dois trabalhos publicados: o “Atlas de Vulvoscopia e Prevenção do Câncer Vulvar” e “O Papel da Vulva e da Vagina no Prazer Sexual”.
Angelina Maia também é Coordenadora do Setor de Prevenção do Câncer e Colposcopia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e especialista em sexualidade humana, com quatro pós-graduações.
Formada em medicina pela Faculdade de Ciências Médicas de Pernambuco, atualmente Universidade de Pernambuco – UPE, em 1977, Angelina Maia, também, lidera sua clínica privada no bairro do Derby.
Fonte: Blog Saga Cultural